Valdeci Ferreira, Ralf Toenjes e Hamilton da Silva conquistam edição 2017 do Prêmio Empreendedor Social

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Empreendedor da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados – federação que agrega as APACs (Associações de Proteção e Assistência aos Condenados) –, Valdeci Ferreira foi o vencedor da 13ª edição do Prêmio Empreendedor Social. Na categoria Empreendedor de Futuro, o vencedor foi Ralf Toenjes, do Renovatio – ONG que doa óculos de baixo custo e diagnóstico oftalmológico para o interior do Brasil. Na “Escolha do Leitor”, com 56% dos votos, venceu Hamilton da Silva, do Saladorama, negócio que leva alimentação saudável para as favelas.  

São Paulo, 8 de novembro de 2017 – Valdeci Ferreira, fundador da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados, venceu o Prêmio Empreendedor Social com um modelo de franquia de unidade prisional sem guarda e arma, já exportado para 19 países. Voluntário há mais de 30 anos, Ferreira conquistou o maior concurso da área na América Latina na noite de segunda-feira, 6 de novembro, em cerimônia no Teatro Porto Seguro, no centro de São Paulo. O Empreendedor Social de Futuro foi vencido por Ralf Toenjes, do Renovatio – ONG que doa óculos de baixo custo e faz consultas gratuitas no interior do Brasil. Com um negócio que leva alimentação saudável para comunidades em cinco Estados, Hamilton da Silva, empreendedor do Saladorama, venceu a categoria Escolha do Leitor com 56% dos votos. A cerimônia do Prêmio Empreendedor Social, uma iniciativa da Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Schwab, contou com 160 projetos inscritos neste ano; 40 deles chegaram à segunda fase e seis foram finalistas.

Taís Araújo e Zeca Camargo comandaram o evento de premiação de impacto social que, entre as atrações, contou com um pocket show da cantora Tiê e a apresentação de uma cena de O Homem de la Mancha, interpretada pelo ator Cleto Baccic. Um coral formado por crianças de Iêmen, Jordânia, Palestina, Síria, Nigéria, República Democrática do Congo e Angola, cantando músicas brasileiras e internacionais, emocionou os presentes. Formado por meninos e meninas com idades entre 3 e 12 anos, o Coração Jolie é uma iniciativa da ONG IKMR (I Know My Rights, Eu Conheço Meus Direitos, em livre tradução).

Para chegar ao veredito de quem merece o título de Empreendedor Social do Ano e qual é o jovem Empreendedor Social de Futuro de 2017, oito jurados se debruçaram sobre cem páginas de dois relatórios com pormenores da atuação dos seis finalistas. Na categoria Escolha do Leitor, mais de 390 mil votos – dados por internautas na enquete no site da Folha, na qual o público elegeu sua iniciativa preferida ao longo do mês de outubro.

O Empreendedor Social de 2017 foi eleito por um júri composto por especialistas de diferentes áreas. Participaram da avaliação deste ano, a presidente do Conselho da Fundação Schwab, Hilde Schwab; Maria Cristina Frias, colunista de “Mercado” na Folha; Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação e professor na USP; e Ronaldo Iabrudi, diretor-presidente do Grupo Pão de Açúcar. Também foram jurados Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas, organização que estimula investimento social corporativo; Marilene Ramos, diretora das áreas de Energia, Gestão Pública, Socioambiental, Saneamento e Transporte do BNDES; Sérgio Andrade, vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2015; e João Carlos Martins, pianista e maestro.

‪”Os finalistas de 2017 realizam tarefas e propõem soluções que se tornam mais necessárias e desafiadoras em tempos de crise como o nosso”, afirma Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha. “Assim como nos demais setores da economia, o terceiro setor e o ecossistema de negócios de impacto social também se ressentem da falta de recursos e investimentos.” ‪Segundo ele, são iniciativas que crescem e geram impactos neste contexto em áreas vitais para o desenvolvimento econômico, como microcrédito para a base da pirâmide, e social, no caso de projetos de direitos humanos, democracia, nutrição e saúde.

Metodologia humaniza cadeias e reduz a reincidência

Há exatos 34 anos, Valdeci Ferreira adotou a recuperação de criminosos como missão de vida. A devoção a uma metodologia – implantada em cinco Estados brasileiros e 19 países – é a resposta a um chamado espiritual aos 21 anos. Criado em uma família religiosa e envolvido em obras sociais da Igreja Católica, escrevia e encenava peças de teatro amador em asilos, creches e hospitais. Com esse trabalho voluntário, visitou uma prisão pela primeira vez em 1983; não resistiu por mais de 15 minutos, pensando o quão pequeno era diante da situação dos encarcerados. Quatro anos depois, ele implementou em Itaúna (MG) um método para administrar e assistir prisões, que é baseado em uma rotina de 12 passos inspirados em valores cristãos. Hoje, as unidades da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) – geridas pela federação criada por Ferreira – são conhecidas por serem prisões nas quais os internos têm as chaves das próprias celas.

Em 1995, o vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2017 fundou a Fraternidade Brasileira de Assistência ao Condenado (FBAC) – uma forma de ajudar a organizar as atuais 48 unidades da APAC em uma federação; o objetivo é dialogar de maneira mais produtiva com o poder público. A iniciativa já beneficiou 3.500 internos e contabiliza 150 unidades em fase de implementação. Hoje, a FBAC supervisiona a metodologia das APACs e negocia com governos estaduais a implementação das novas “cadeias humanizadas”.

Segundo Ferreira, “os presídios são desertos de miséria e sofrimento. O Estado está ausente e as facções ocupam o espaço. A sociedade, ferida por essas pessoas, esquece que os abandonados atrás das grades um dia voltarão para o convívio social; voltam piores”. Em contrapartida, as APACs são pequenos oásis. “Aplicamos a pedagogia da presença e caminhamos com aquele que cometeu o delito, oferecendo uma chance de mudança de vida”, explica. E, como resultado, ao contrário do nível de 85% de reincidência nas cadeias comuns, as APACs mostram índices próximos a 28%. Há outros atributos de performance que destacam vantagens frente às cadeias tradicionais.

Sobre a conquista do Prêmio Empreendedor Social, Ferreira diz que foi uma grande surpresa – sobretudo porque o Brasil conta com pessoas que fazem um belíssimo trabalho. “Ao mesmo tempo que me sinto lisonjeado pelo reconhecimento, eu me encho de esperança que essa indicação traga visibilidade para a causa. Ser indicado a um prêmio como esse, com um trabalho de voluntariado que há 34 anos nada contra a corrente, é bom demais. O nosso trabalho, ao contrário do que muitos pensam, não está somente na recuperação do preso. Está, sobretudo, na proteção da sociedade. No cumprimento da lei. Temos a dupla função de recuperar e proteger a sociedade, pois esse preso vai voltar às ruas. E é melhor que volte à sociedade recuperado. Ciente dos direitos e deveres. Sabendo que foi tratado com respeito”, afirma.

Democratizando o acesso à visão

Em um congresso no México, em 2013, Ralf Toenjes – vencedor do Prêmio Empreendedor Social de Futuro – conheceu uma tecnologia alemã de fabricação de óculos a baixo custo – a OneDollarGlasses, criada por Martin Aufmuth. Na volta ao Brasil, identificou que 42 milhões de brasileiros precisam de óculos e não sabem. Para mudar essa realidade, o empreendedor de 26 anos – formado pelo Insper em Economia e Negócios, e em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) – criou a Associação de Apoio Renovatio, em 2014, com a missão de democratizar o acesso à visão no Brasil.

A associação Renovatio opera por meio de mutirões, oferecendo consultas oftalmológicas conduzidas por oftalmologistas voluntários e óculos de grau grátis ou a um custo acessível. Os atendimentos são realizados pelos oftalmologistas em um ônibus equipado que permite ao paciente já sair com o diagnóstico e com os seus óculos. Para a produção dos óculos fundou a ótica VerBem, em 2014, cuja meta é atender 1 milhão de brasileiros até 2021.

O modelo de vendas se divide em compre um, doe um (óculos a partir de R$ 79) – valores mais acessíveis com óculos a partir de R$ 39 e óculos grátis, viabilizado pelas parcerias com empresas e organizações não governamentais. Hoje, a Renovatio conta com parceiros como Bank of America, Atento e Ótica, Giv.On, que já aportaram mais de R$ 680 mil na startup que distribuiu mais de 15 mil óculos, em 17 Estados brasileiros. É um modelo inovador para enfrentar um desafio enorme diante do fato que 85% dos municípios do país não contam com oftalmologista residente.

Para Ralf Toenjes, a premiação é uma demonstração que a organização está no caminho certo. “Temos um sonho grande de mudar a visão de 1 milhão de pessoas até 2021 e tenho certeza de que a chancela e a credibilidade de chegarmos a essa final do Prêmio Empreendedor Social de Futuro será um passo importante para atingirmos nosso objetivo”, revela.

Alimentação saudável na quebrada

Primeiro membro da família a cursar o ensino superior, Hamilton Henrique da Silva – vencedor da categoria Escolha do Leitor, com 56% dos votos – conseguiu uma bolsa de estudos em um curso de Engenharia de Produção na Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro. No ambiente acadêmico conheceu o conceito de negócio de impacto – que o levaria mais tarde a trabalhar em um coworking em Botafogo, espaço que oferecia refeições aos usuários. Aos 20 anos, trabalhando fora da comunidade na qual cresceu e comparando as oportunidades de alimentos a que era exposto em casa e no trabalho, na zona sul do Rio, percebeu a falta de opções de comida saudável na periferia. A partir dessa reflexão, surgiu a ideia do Saladorama, que busca democratizar o acesso à alimentação saudável.

Ao mesmo tempo em que estava formatando as bases do negócio social – que fornece alimentos saudáveis a baixo custo via delivery e restaurantes próprios – o empreendedor soube que a avó, dona Julia, passava por complicações na saúde devido ao diabetes. Perdeu a visão do olho esquerdo e um dedo. “Quando fui conversar com o médico, ele falou que se minha avó tivesse melhorado a alimentação não teria passado por isso. Aquilo atingiu diretamente a minha vida. Senti a dor de não poder fazer nada vendo minha avó cega por falta de acesso à alimentação saudável”, conta, acrescentando que passou a defender que alimentação é direito; não privilégio.

Com R$ 220 da rescisão do trabalho, montou o Saladorama. Hoje, o negócio social conta com cinco unidades que operam como delivery ou restaurante em Florianópolis (SC), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Sorocaba (SP) e São Luís (MA). O negócio oferece, também, oficinas de formação para pessoas de comunidades que querem empreender seus próprios restaurantes ou trabalhar nos restaurantes da rede. O fornecimento de alimentos e as formações, oficinas e palestras sobre o tema já alcançaram cerca de 28 mil pessoas.

Na análise do jovem empreendedor – que transformou em negócio a falta de opção de alimentação saudável na periferia – a conquista é a consolidação de um trabalho de credibilidade. “Na minha opinião e de especialistas, o Prêmio Empreendedor Social é a premiação de negócios de impacto social de maior validação e importância do Brasil. O fato de ser indicado já é um motivo de orgulho imenso”, revela.

 

PREMIAÇÃO

Realizada em parceria com a Fundação Schwab, a 13ª edição do Prêmio Empreendedor Social contou com a indicação de Bernardo Bonjean (Avante); Ronaldo Lemos (Instituto de Tecnologia e Sociedade); e Valdeci Ferreira (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados). O Prêmio Empreendedor de Futuro, por sua vez, teve como finalistas Hamilton Henrique da Silva (Saladorama); Ralf Toenjes (Associação de Apoio Renovatio); e Renan Ferreirinha, Tábata Amaral e Lígia Stocche (Movimento Mapa Educação).

Criado em 2005 pela Folha de S.Paulo e Fundação Schwab – correalizadora do Fórum Econômico Mundial de Davos e idealizadora do concurso no mundo –, o Prêmio Empreendedor Social tem o objetivo de selecionar e fomentar os líderes socioambientais mais empreendedores do Brasil – que desenvolvam iniciativas inovadoras, sustentáveis e com comprovado impacto socioambiental. O Folha Empreendedor Social de Futuro, por sua vez, é dedicado aos líderes sociais de até 35 anos que estão à frente de iniciativas mais recentes, com um a três anos de atuação. Criada pela Folha de S.Paulo em 2009, essa premiação utiliza os mesmos parâmetros internacionais da Schwab para avaliar e contemplar propostas inovadoras que ainda precisam de visibilidade e de capacitação para aumentar sua atuação e influência.

O Prêmio Empreendedor Social tem patrocínio de Coca-Cola, IEL (Instituto Euvaldo Lodi) – uma iniciativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) – e Fundação Banco do Brasil. Conta com a Latam como transportadora oficial e o apoio do Instituto C&A e do Teatro Porto Seguro, além da parceria estratégica de ESPM, FDC, Insper e UOL.

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