Resíduos têxteis que preservam o meio ambiente e transformam vidas

Publicado em em Prêmio Empreendedor Social.

RETALHAR

Criado pelos amigos de infância Jonas Lessa e Lucas Corvacho em 2014, o negócio social Retalhar oferece aos clientes o serviço de descarte correto dos resíduos têxteis. A empresa recolhe uniformes velhos e encaminha ao desfibramento, processo que permite a reutilização dos fios em novos produtos. Além da diminuição da pegada de carbono dos clientes, o negócio social contribui para a inserção das populações excluídas na cadeia têxtil – em especial cooperativas de costureiras da periferia de São Paulo.

Os empreendedores, que têm como principal parceira na gestão a aceleradora NESsT, são finalistas do Prêmio Empreendedor Social de Futuro, destinado a jovens empreendedores com perfil inovador.

São Paulo, 6 de dezembro de 2016 – A amizade de infância de Jonas Lessa e Lucas Corvacho, iniciada em um jogo de taco em São Sebastião, litoral de São Paulo, resultou em um negócio social que nasceu da paixão de ambos pela ideia de redução de impacto ambiental. A Retalhar recicla uniformes usados, transformando-os em cobertores para moradores de rua. A iniciativa de fazer uma manta, produzida por costureiras de cooperativas com retalhos de uniformes e material impermeável descartados, surgiu da parceria dos jovens empreendedores com a ONG Entrega por SP. Essa é, na verdade, apenas uma das facetas de atuação da Retalhar, que trabalha para que grandes empresas não descartem tecidos de maneira inadequada.

Na prática, a Retalhar surge como solução para o problema da logística reversa da cadeia têxtil, evitando, desde a sua criação em 2014, que 15 toneladas de tecido fossem descartadas em aterros ou incineradas. Além disso, traz impacto à vida de costureiras, mulheres que geram renda transformando retalhos em produtos, como os cobertores populares distribuídos aos moradores de rua.

“Criamos um negócio social que faz da gestão de resíduos têxteis uma ferramenta de empoderamento e desenvolvimento humano. Nosso foco estratégico está na logística reversa de uniformes profissionais”, afirma Jonas Lessa. O sócio, Lucas Corvacho, acrescenta que a empresa viabiliza a destinação ambientalmente adequada desses materiais sempre sobre a garantia de responsabilidade ambiental. “Nossa missão é inspirar pessoas a repensar os hábitos e modelos de negócio, utilizando o mercado para redirecionar as trocas entre sociedade e meio ambiente”, ressalta.

O Brasil produziu 256 milhões de peças de uniformes em 2012, segundo estudo da Sindtêxtil. Em uma projeção da Retalhar, isso totaliza 76 mil toneladas de tecidos por ano, aproximadamente. Após o uso, o destino desse material é a incineração ou os aterros sanitários – o que gera um ônus ambiental grande e fere as normas da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Em contrapartida, o negócio social já processou 15 toneladas desse material descartado em dois anos, o que representa a economia de 210 toneladas de carbono emitidos na incineração ou na produção de tecidos a partir de novos fios; são quase 110 metros cúbicos de volume do aterro poupado e R$ 77 mil de renda gerada para os parceiros.

Segundo os empreendedores, ao evitar a produção de novos tecidos, há impactos também na produção de algodão, que ocupa 3% da terra agrícola do mundo e usa 18% de todo o pesticida produzido no planeta. A empresa recolhe os uniformes velhos e encaminha ao desfibramento, que vai permitir a reutilização dos fios em novos produtos. Ao propor a diminuição da pegada de carbono dos clientes, o negócio social contribui para a inserção das populações excluídas na cadeia têxtil – em especial cooperativas de costureiras da periferia de São Paulo.

Inovação e logística reversa

A primeira inovação dos empreendedores está na capacidade de lançar um olhar para esse resíduo específico e enxergá-lo como um potencial nicho de mercado, transformando o problema das empresas em novos produtos como cobertores e brindes corporativos. Além de inovar na coleta e reciclagem, impacta na contratação de parceiros como indústrias de desfibramento e em oito cooperativas de costureiras – que juntas empregam 30 mulheres nas regiões de Taboão da Serra, São Bernardo do Campo, Carapicuíba e Perus. Em dois anos, as cooperativas já geraram R$ 77 mil em negócios com a Retalhar.

Os empreendedores têm formação na área ambiental. Lucas Corvacho, biólogo com experiência acadêmica na Austrália, decidiu empreender por perceber que o programa de pesquisa em que estava inserido – redução de impactos ambientais nos países do Pacífico – teria efeito apenas no longo prazo. A vontade de gerar impacto social imediato o trouxe de volta ao Brasil, onde começou a trabalhar na indústria têxtil do pai, a Lutha Uniformes, que atua há 23 anos no ramo. Logo organizou a área de sustentabilidade com reaproveitamento dos retalhos da produção. Lessa, formado em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), aproximou-se do ecossistema de negócios sociais no início da graduação. Entrou na Lutha para ajudar o amigo de infância.

Em 2014, a empresa se emancipou a partir da demanda de um conhecido que precisava de ajuda para lidar com os uniformes da empresa na qual trabalhava – a LATAM. O contrato com a grande companhia fez os empreendedores perceberem o potencial do negócio. Hoje, o negócio funciona em um galpão, possui seis funcionários e atrai clientes gigantes como a FedEX – que vai replicar a ideia de reciclagem em outros países nos quais atua – e concessionárias de rodovias.

PREMIAÇÃO

Criado em 2005 pela Folha de S. Paulo e Fundação Schwab – correalizadora do Fórum Econômico Mundial de Davos e idealizadora do concurso no mundo –, o Prêmio Empreendedor Social tem o objetivo de selecionar e fomentar os líderes socioambientais mais empreendedores do Brasil, que desenvolvam iniciativas inovadoras, sustentáveis e com comprovado impacto socioambiental.

O Folha Empreendedor Social de Futuro, por sua vez, é dedicado aos líderes sociais de até 35 anos que estão à frente de iniciativas mais recentes, com um a três anos de atuação. Criada pela Folha de S. Paulo em 2009, essa premiação utiliza os mesmos parâmetros internacionais da Schwab para avaliar e contemplar propostas inovadoras que ainda precisam de visibilidade e de capacitação para aumentar sua atuação e influência.

O Empreendedor Social é patrocinado por Coca-Cola, Vivo, IEL, uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria, e Fundação Banco do Brasil. O prêmio tem a LATAM Airlines Brasil como transportadora oficial e apoio da Porto Seguro. Entre os parceiros estratégicos, estão Fundação Dom Cabral, ESPM e UOL.

 1Novo_Patrocinadores e parceiros_26Outubro

 

MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Printec Comunicação www.printeccomunicacao.com.br
Visite a página da Printec Comunicação no Facebook
Betânia Lins betania.lins@printeccomunicacao.com.br
Vanessa Giacometti de Godoy
vanessa.godoy@printeccomunicacao.com.br
Fone: (11) 5185-4974 / Celular: (11) 9 9274-9651