Negócio social investe na medicina do comportamento

Publicado em em Prêmio Empreendedor Social.

TA NA HORA

O empreendedor Michael Kapps investiu na ideia de criar um novo serviço de  medicina digital: mais barata e eficiente. A “medicina do comportamento”, praticada pela startup Tá.Na.Hora (TNH), tem por enfoque a prevenção de doenças via mudança de hábitos e disseminação da informação. Um dos produtos, SMSBebê, traz informações úteis para o desenvolvimento na primeira infância (até 6 anos). Economista, Kapps acredita que os desafios da saúde no Brasil – propostos pelo envelhecimento da população – não serão resolvidos com mais médicos ou medicamentos, mas com informação preventiva. 

O empreendedor do negócio social, que integrou processos de aceleração conduzidos pela Quintessa e Artemisia, foi um dos finalistas do Prêmio Empreendedor Social de Futuro, destinado a jovens empreendedores com perfil inovador.

São Paulo, 30 de novembro de 2016 –  O economista Michael Kapps trocou um emprego bem remunerado no Vale do Silício, nos Estados Unidos, pelo desafio de criar uma startup de saúde digital no Brasil. No cerne do negócio social, a “medicina do comportamento”: mais barata, eficiente e baseada na informação. Antes de criar a Tá.Na.Hora (TNH), Kapps, que nasceu na Rússia, passou uma temporada na África, como voluntário; em Gana, fundou uma ONG com amigos. Em uma das temporadas de viagens chegou ao Pantanal, época que estudava economia na Universidade de Harvard. Nos quatro meses em que morou no Mato Grosso, tocou gado em uma fazenda e aprendeu português, andando a cavalo com um dicionário na mão. Encantado com o Brasil e inspirado pelas conversas com o advogado Juliano Froehner, Kapps fundou a empresa e tornou o amigo brasileiro sócio.

A vivência na região Centro-Oeste do país serviu para perceber que havia bastante potencial e oportunidades para mudar o sistema de saúde no Brasil. A TNH foi criada há três anos com o objetivo de atender grandes populações e áreas importantes para o poder público: primeira infância, saúde da família, doenças crônicas – entre obesidade e diabetes –, e epidemias como dengue. “Queríamos achar uma solução para a saúde que se encaixasse na realidade brasileira, que as pessoas pudessem incorporar na vida delas. Dar um monitor de passos digital (Fitbit) para todos não é viável para o país, por isso, tivemos que tropicalizar a tecnologia”, afirma o empreendedor.

Kapps e Froehner recorreram, então, a uma tecnologia disponível desde 1990 e que está na mão de nove entre 10 brasileiros: o SMS, a mensagem de texto via celular. Com o envio de 57 mil mensagens por mês e atingindo 40 mil famílias, a empresa consegue gerar impacto social positivo em serviços de saúde de várias formas: na prevenção de doenças, no maior engajamento de pacientes com tratamentos, na redução de custos pela maior eficiência no atendimento, na redução das filas – e como ferramenta para estudos clínicos para medir a eficácia de novos medicamentos e vacinas.

A principal criação da TNH é um software de desenvolvimento e envio de mensagens, capaz de aprender com os usuários como gerar interações mais engajadoras. O sistema funciona como “árvore de decisões”, desenvolvida pelo time de programação e pelos sócios. “Nós queremos usar a tecnologia para mudar o comportamento, educar as pessoas e tentar resolver alguns dos maiores problemas de saúde do país. Para isso, criamos um robozinho que consegue conversar com milhares de pessoas, de um jeito personalizado, auxiliando os profissionais de saúde”, detalha Kapps.

A TNH trabalha na gestão de população na área da saúde, sendo que a atuação da empresa ocorre por meio de parcerias com prefeituras e empresas privadas. Ao enviar mensagens em SMS com dicas e perguntas para pacientes, inicia uma interação que aumenta o grau de engajamento aos tratamentos; o paciente aciona as equipes médicas quando necessário. A empresa não pretende substituir os médicos, sim auxiliá-los a aumentar a escala do atendimento.

Hoje, o SUS responde por 50% do faturamento da empresa, que conta com 50 programas diferentes – focados em doenças específicas e distribuídos em mais de 400 versões adaptadas para grupos demográficos. Os outros 50% são provenientes de contratos com o setor privado que fornecem a ferramenta para funcionários e planos de saúde. No total, a empresa estima que 70% do público pertence à base da pirâmide, classes C, D e E.

Os principais produtos da TNH são o SMSBebê, programa de acompanhamento de gestantes e recém-nascidos, implementado em parceria com secretarias de saúde municipais; SMSEspecial, em parceria com a APAE de Santa Catarina, voltado para auxiliar pessoas com Síndrome de Down e familiares; SMSDengue, em parceria com prefeituras do Nordeste para acompanhar infectados com a doença, tendo o intuito de controlar focos de criação do mosquito transmissor; e Vacina para dengue – em parceria com o Instituto Butantan, voltada ao acompanhamento de voluntários do teste clínico de uma  nova vacina. O conteúdo das mensagens de cada programa é definido por uma equipe de jornalistas em parceria com um médico que colabora com o protocolo de atendimento.

O SMSBebê, em funcionamento em Rio Negrinho, Santa Catarina, é responsável pelo envio de mensagens para gestantes e mães de crianças com até três anos sobre gravidez saudável, saúde e desenvolvimento infantil. As mensagens para as grávidas abordam o vínculo entre mãe, pai e bebê; exercícios físicos e alimentação. Alertam, ainda, para os riscos da infecção urinária. Segundo dados da TNH, a taxa geral de respostas às mensagens é de aproximadamente 30% – e supera os 60% entre as gestantes, consideradas o público mais engajado.

De acordo com os fundadores, a TNH deve faturar R$ 2 milhões em 2017; a expectativa é atingir o ponto de equilíbrio entre despesas e receitas em 12 meses. “Meu sonho é saber que minha empresa criou uma ferramenta que de forma barata está se espalhando para todo o Brasil. Espero que seja usada também no resto do mundo, onde existem os mesmos problemas”, diz o empreendedor.

A empresa que iniciou as operações em Rio Negrinho – sede e onde trabalha o sócio Juliano Froehner e os setores administrativo e financeiro –, funciona em três escritórios. Em Joinville, Santa Catarina, está o time de desenvolvimento; em São Paulo, trabalham Kapps, o time comercial, de contas e conteúdo. A TNH está presente, atualmente em 13 cidades, 12 Estados de todas regiões via projeto desenvolvido com o Instituto Butantan. Com os demais produtos, atua em todo o território nacional. Segundo sócios e parceiros como a Artemisia e Quintessa, há expectativa de impactar 100 mil pessoas até o final de 2016.

PREMIAÇÃO

Criado em 2005 pela Folha de S. Paulo e Fundação Schwab – correalizadora do Fórum Econômico Mundial de Davos e idealizadora do concurso no mundo –, o Prêmio Empreendedor Social tem o objetivo de selecionar e fomentar os líderes socioambientais mais empreendedores do Brasil, que desenvolvam iniciativas inovadoras, sustentáveis e com comprovado impacto socioambiental.

O Folha Empreendedor Social de Futuro, por sua vez, é dedicado aos líderes sociais de até 35 anos que estão à frente de iniciativas mais recentes, com um a três anos de atuação. Criada pela Folha de S. Paulo em 2009, essa premiação utiliza os mesmos parâmetros internacionais da Schwab para avaliar e contemplar propostas inovadoras que ainda precisam de visibilidade e de capacitação para aumentar sua atuação e influência.

O Empreendedor Social é patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, Coca-Cola e pelo IEL, uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria. O prêmio tem a LATAM Airlines Brasil como transportadora oficial e apoio da Porto Seguro. Entre os parceiros estratégicos, estão Fundação Dom Cabral, ESPM e UOL.

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