Como o consumidor consciente pode se tornar um eleitor consciente?

Publicado em em Shopper Experience.

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Stella Kochen Susskind, coordenadora da pesquisa “O Consumo Consciente no Brasil” e presidente da Shopper Experience.

Às vésperas das eleições municipais acredito que exista uma pergunta pertinente. Como um consumidor consciente pode se tornar um eleitor consciente? A origem do questionamento é uma pesquisa que recentemente coordenei com clientes secretos. Pela terceira vez, o estudo O Consumo Consciente no Brasil mapeou a percepção que o brasileiro tem sobre o próprio papel na temática e a percepção individual sobre as práticas adotadas pelas empresas.

Tendo como ponto de partida a reflexão sobre quais são as práticas associadas ao consumo consciente, consumidores com idade entre 21 anos e 65 anos; das classes A, B e C (critério Brasil, 2015); e moradores das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, apontaram como se relacionam com o conceito nos âmbitos ambiental, social e econômico. Como resultado, temos 92% dos entrevistados afirmando categoricamente que o próprio consumidor é o protagonista no consumo consciente. Uma percepção de que o problema e a solução estão nas próprias mãos.

O mapeamento mostra que 88% creditam ao governo e a empresas multinacionais a responsabilidade pelo consumo consciente; 86% conferem a responsabilidade a empresas brasileiras e organizações não governamentais (ONG); 85% a organizações internacionais; 82% aos países ricos; e 63% aos países pobres. É interessante notar que para 82% dos consumidores brasileiros, a responsabilidade pelo consumo consciente no Brasil é de países ricos, ou seja, um contrassenso.

No âmbito social, a prática que lidera a percepção dos brasileiros para o consumo consciente é a doação, para instituições de caridade, de roupas ou bens não utilizados (97%). Entre as outras práticas destacadas pelos entrevistados, 94% apontam o comportamento de evitar comprar produtos de empresas envolvidas em casos de exploração infantil/trabalho em locais não adequados; 90% realizar trabalho voluntário; 89% participação em projetos sociais; 79% evitar comprar produtos de empresas que fazem testes em animais; e 72% doar dinheiro para instituições de caridade.

Nenhum entrevistado respondeu que votar é um ato de consumo consciente. Aliás, poucos são os que associam o consumo de produtos e serviços com o consumo de política. Acredito que o comportamental de um consumidor consciente pode torná-lo um eleitor consciente. Ao eleger, conferimos poder aos políticos eleitos. Ao comprar uma marca ou produto, conferimos prestígio e confiança – e cobramos devidamente respeito e qualidade na relação estabelecida. Por que é tão diferente com o nosso voto? Talvez porque não acreditamos na inteligência coletiva (como eleitores) da forma como acreditamos no nosso papel de consumidor; nos direitos e deveres que temos como tal.

A “indústria” da política deve respeito ao eleitor da mesma forma que as indústrias alimentícia ou têxtil, por exemplo, devem. Os modelos de prosperidade, amparados em responsabilidade social e ações práticas, nos encantam como consumidores. Se nos sentimos traídos nessa confiança, questionamos, pedimos dinheiro de volta, processamos, paramos de comprar e influenciamos outros consumidores. O Código de Defesa do Consumidor nos protege. E se houvesse um Código de Defesa do Eleitor?! Na verdade, existe! Está contido em diversos mecanismos constitucionais, assegurando direitos e deveres.

Por isso, diante da eleição, pretendo me comportar como uma consumidora consciente e moderna. Vou escolher candidatos que dialogam com as demandas do século XXI e vou fiscalizá-los para ficar segura que o serviço está sendo prestado com excelência.

* Stella Kochen Susskind

Administradora de empresas graduada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e pós-graduada em Franchising pela Franchising University (Estados Unidos), Stella Kochen Susskind é pioneira no Brasil na avaliação do atendimento ao consumidor por meio do “Cliente Secreto®”. A executiva preside a Shopper Experience – empresa de pesquisa que representa uma evolução do modelo – e a divisão latino-americana da Mystery Shopping Providers Association, atuando, ainda, como diretora da Mystery Shopping Providers Association Europe e membro do Global Board. É autora do livro “Cliente secreto: A metodologia que revolucionou o atendimento ao consumidor”, lançado pela Primavera Editorial. A executiva brasileira ministrou palestras sobre a metodologia na Argentina, Estados Unidos, Suécia, Espanha, Estados Unidos, Malta e Grécia. A Shopper Experience acaba de receber o Prêmio MSPA Europe Elite Member 2016, classificando-se entre as 12 melhores empresas de Cliente Oculto no mundo.

 

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