Pesquisa da Bridge Research aponta conflito de gerações entre mulheres paulistanas nos ambientes corporativos

No contínuo processo de ascensão profissional feminina, as mulheres se deparam com um novo desafio no ambiente corporativo contemporâneo – os conflitos multigeracionais entre as profissionais das gerações X (idades entre 30 anos e 45 anos), Y (idades entre 20 anos e 29 anos) e Z (nascidas nos anos 1990). Pesquisa “Convivência no mercado de trabalho”, conduzida pela Bridge Research – empresa de pesquisa que tem foco na prestação de serviços de inteligência na área de tecnologia – com mulheres das classes A e B, moradoras da Grande São Paulo, mostra quais são as características e inputs comportamentais das profissionais paulistanas de três diferentes gerações. A pesquisa integra um módulo qualitativo do estudo “Geração Y”, desenvolvido pela Bridge Research em 2010, baseado em entrevistas pessoais com uma amostra de 672 pessoas na Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro e Grande Porto Alegre.

São Paulo, 2 de março de 2011 – A experiência prática e o preparo acadêmico tornou os profissionais da geração X (com idades entre 30 anos e 45 anos) os legítimos herdeiros dos postos de liderança disponíveis desde a aposentadoria dos baby boomers, geração nascida entre 1946 e 1964. A convencional substituição de uma geração de executivos por outra, que deveria transcorrer na mais perfeita tranquilidade, teve o curso alterado por uma nova disputa de poder. Questionadores e com pressa para ascender na carreira, integrantes da geração Y (com idades entre 20 anos e 29 anos) passaram a disputar cargos com o profissional X. Na região da Grande São Paulo, a pesquisa qualitativa Convivência no mercado de trabalho, conduzida pela empresa de pesquisa Bridge Research – realizada com mulheres das classes A e B, pertencentes às gerações X, Y e Z – mostrou que as profissionais paulistanas de três gerações têm dividido espaço físico, cargos e desafios em um ambiente corporativo altamente competitivo.

A convivência, muitas vezes, constitui um conflito multigeracional que está sendo ditado pela forma com que cada geração lida com questões pessoais e profissionais. Em comum às gerações, a falta de planejamento da carreira; a escolha é feita muito cedo, o que impede a definição de um plano maduro para a carreira. E como age cada profissional? Assertiva, a chefe X costuma ser objetiva, comprometida com resultados, competitiva e responsável. A Y apresenta a faceta mais humana do ambiente coorporativo, mostrando-se acessível, bem informada, flexível e adaptável – uma profissional preparada para o trabalho em equipe por buscar soluções para problemas comuns à equipe. A estagiária Z é a profissional com mais energia em estado bruto. “A estagiária Z busca o crescimento por meio do aprendizado e enxerga as primeiras experiências profissionais como uma oportunidade de traçar um caminho possível para o desenvolvimento da carreira”, afirma Renato Trindade, presidente da Bridge Research e coordenador da pesquisa.

A análise comportamental mostrou que enquanto as profissionais da geração X colocam a carreira em primeiro plano, a prioridade das Y – no início de carreira, especialmente – é equilibrar a vida pessoal e a profissional. “Essas mulheres se preocupam em não cometer os mesmos erros da geração passada, ou seja, acreditam que a X abandonou a família em detrimento da carreira”, afirma Trindade, acrescentando que as mulheres da geração Z têm comportamentos infantis com relação ao trabalho. De acordo com o coordenador da pesquisa, para a X o trabalho é fonte de realização e status; a Y associa a carreira com a afirmação da maturidade perante a sociedade; e a Z acredita que o trabalho é um mal necessário. “No tocante à família e amigos, enquanto a X relega a vida pessoal a segundo plano, a Y vive um momento em que as responsabilidades cotidianas roubam o tempo que gostaria de dedicar às pessoas queridas. Para a Z, a vida ainda está dentro de uma zona de conforto, na qual os pais são a principal referência e os amigos a prioridade”, detalha o executivo. Enquanto os relacionamentos da mulher X são permeados pela esfera profissional – e limitados ao tempo disponível –, a Y procura manter uma vida social mais ativa. Em contrapartida, a Z mostra um descompromisso total com as obrigações cotidianas.

Angústias profissionais da Y e escala de valores

Quando o tema versa sobre angústias profissionais, a Y mostra que o gatilho está na necessidade de saber qual será o próximo passo a ser dado. A questão “como acertar sempre?” está sempre presente, especialmente porque as mulheres dessa geração baseiam suas escolhas no acaso – não necessariamente nos dados mais adequados para atingir metas. Embora pareça utópico, as Ys sonham com a criação de uma carreira estável e financeiramente segura. Aspiram fazer cursos fora do Brasil, ser promovidas e ganhar mais. Ao mesmo tempo não deixam de lado o desejo de constituir família. “O mundo maduro ainda apresenta mistérios para a bem informada profissional Y”, analisa Trindade.

O que é realmente importante no mercado profissional? Para a X, o mais relevante é “fazer acontecer”. Como são realizadoras naturais, essas profissionais sentem prazer em executar projetos por pura paixão. Crescer e ganhar dinheiro é a mola propulsora da Y, simplesmente porque dinheiro é sinônimo de status e reconhecimento; trata-se de uma geração altamente ligada ao modelo de negócios atual. As jovens Z valorizam o acesso às oportunidades de ingressar e ascender no mercado profissional. “Não têm clareza para traçar estratégias profissionais, mas desejam encontrar uma oportunidade”, avalia Trindade.

Influenciadores e modelos corporativos

Quem são as pessoas que mais influenciam, no ambiente corporativo, as diferentes gerações de mulheres? A pesquisa mostra que os influenciadores mudam de acordo com o estágio da carreira. Para a X, o mentor é escolhido por critérios de admiração e empatia. “Esse profissional inspirador, que geralmente ocupa uma posição de liderança, direciona e ajuda a X a ponderar sobre importantes decisões; trata-se de um chefe que se torna uma referência para a troca de ideias. No caso da Y, o modelo é a figura de maior destaque e, algumas vezes, “inatingível”. Na prática, é uma pessoa que oferece um modelo a ser seguido, embora não haja uma relação de troca. Pode ser um executivo de uma grande corporação mundial ou um estadista – Steve Jobs ou Bill Clinton, por exemplo”, detalha Trindade. No caso da Z, o influenciador é associado a um protetor, uma figura paterna que pacientemente ensina, protege e prepara a jovem profissional para a dura realidade corporativa. “É o professor que tangibiliza a teoria aprendida na faculdade”, define Trindade.

Nesse cenário multigeracional, a transição entre o ambiente formal – apontado na pesquisa como status quo – para um espaço inovador, caracterizado pela quebra de paradigmas, tem gerado conflitos, sobretudo pelos diferentes modelos de liderança. Para a profissional X, o modelo atual de liderança não é integralmente eficiente, sobretudo no que diz respeito ao gerenciamento do tempo, e permanece sendo pautado pelo dinheiro,. Para a Y, o modelo atual de liderança é time consuming, ou seja, existe um grande investimento em horas trabalhadas e tempo de dedicação para o reconhecimento. O conhecimento, nesse caso, é mais empírico que acadêmico. A Z, por sua vez, acredita que o modelo de liderança atual é exigente demais, excessivamente formal e presencial.

Como uma geração pode aprender com a outra?

O ambiente corporativo do futuro requer uma mudança de comportamento de ambas  gerações. Segundo Renato Trindade, desafios e competições à parte, a convivência das três gerações pode dar origem a um dream team; uma equipe na qual as diferentes competências e características das profissionais se completem. O executivo dá indícios de como essa mudança de conduta pode auxiliar as empresas e as profissionais a crescerem com a diferença. “Motivada pelas Y e Z, a profissional X deve estar pronta a quebrar paradigmas e criar novos modelos de eficiência. Para isso, precisa focar na adaptabilidade. Pronta para mudar o cenário atual, a Y deve colocar a alta capacitação técnica e acadêmica a serviço da equipe. A profissional Z, considerada a mais maleável, está apta a lidar com a diversidade e as novas características do mercado corporativo”, afirma Trindade, defendendo que na diversidade está a solução não o problema.

O peso dessa transformação do ambiente corporativo está sob a responsabilidade da profissional Y, de acordo com Renato Trindade. “Ao lidar com a chefe X, a Y deve evitar o apego apenas ao saber acadêmico e a arrogância, deve mostrar respeito à hierarquia, comprometimento, reciprocidade, flexibilidade e dedicação. Com as parceiras Y, evitar engessar o trabalho e processos rígidos e comportamentos autoritários. As parceiras valorizam o trabalho em equipe, as novas soluções de ver o mundo e o jogo de cintura; são profissionais que gostam de inovações tecnológicas e evolução acadêmica”, salienta o executivo. No caso das estagiárias Z, as Ys devem motivá-las, apresentar novidades, novas formas de fazer as coisas. Em contrapartida, evitar alteração de humor. “As jovens Z não estão preparadas para lidar com críticas, obstáculos e pressões; elas não sabem como agir se a Y fizer críticas muito duras”, afirma Renato Trindade.

PESQUISAS

Pesquisas sobre a Geração Y integram o trabalho permanente da Bridge Research, de estudar o comportamento das pessoas e as diferenças entre as diversas gerações frente à evolução do mercado consumidor. “É importante estar atento à evolução das diferentes gerações tecnológicas, qual o seu ponto de ruptura e como se movimentam os early adopters de novas tecnologias”, destaca Trindade. Social networking é outra área que está no radar da Bridge Research, envolvendo a Web 2.0 com os seus blogs, fotologs, wikis, twitter e o que reúne o Consumer-Generated Media, ou a informação criada e divulgada pelos próprios consumidores, com análises de impacto, imagem, credibilidade etc. “Para analisar, é essencial diferenciar essas novas tecnologias. Entre as redes sociais, por exemplo, é preciso especificar bem o que são redes de relacionamento como Orkut e MySpace, e como interagem com os sistemas de mensagens instantâneas como MSN e Messenger, uma vez que estamos falando de duas redes com finalidades distintas”, diz Trindade.

Bridge Research

A Bridge Research é uma empresa de pesquisa de mercado com foco na prestação de serviços de inteligência na área de tecnologia, especialmente telecom, baseada no tripé expertise, aplicação de tecnologia avançada e profundo envolvimento no entendimento da demanda dos clientes e na entrega e análise dos resultados. A Bridge é forte aliada das empresas na definição de estratégias de negócio. Ao investir no conhecimento da vida das empresas, a  Bridge Research é capaz de aprofundar e particularizar o projeto de pesquisa, para que de fato reflita as necessidades de negócio. O approach diferenciado inclui o acompanhamento da pesquisa pelo cliente no decorrer do processo. O profundo conhecimento da vida das empresas e o acompanhamento do processo são valores fortemente priorizados pela Bridge Research. www.bridgeresearch.com.br

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