“Da esquerda para a direita: Felipe Pena, André Vianco, Pedro Drummond e Luis Eduardo Matta”]
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Os escritores André Vianco, Felipe Pena, Luis Eduardo Matta e Pedro Drummond são destaque do programa Entrelinhas, da TV Cultura, neste domingo (18/7), às 21h30. Em um bate-papo descontraído, os autores de vertentes literárias distintas falam sobre o “Manifesto Silvestre” em favor da literatura brasileira de entretenimento – um alicerce para a defesa da criação de uma literatura acessível, menos elitizada. A reprise do programa será dia 20/7, à 1h30.
São Paulo, 12 de julho de 2010 – Signatários de um manifesto em defesa da narrativa, do entretenimento e da popularização da literatura, os escritores André Vianco, Felipe Pena Luis Eduardo Matta e Pedro Drummond – integrantes do “Grupo Silvestre” – são destaque do programa Entrelinhas deste domingo (18/7), às 21h30, na TV Cultura. Em um bate-papo descontraído sobre livros, literatura popular brasileira e propostas para tornar a leitura acessível, os quatro escritores mostram que embora sejam de vertentes literárias distintas, têm em comum o interesse em conquistar o leitor com uma história bem contada; não restrita a uma elite produtora de regras e rótulos. Dedicado aos livros e à literatura, o Entrelinhas é apresentado por Paula Picarelli e retransmitido por quase todas as emissoras públicas do país. A reprise do programa com o “Grupo Silvestre” será dia 20/7, à 1h30.
Considerado um dos expoentes brasileiros do romance de suspense não-policial, o escritor carioca Luis Eduardo Matta – um dos autores da Primavera Editorial – acredita que o tema literatura de entretenimento é considerado delicado por questionar os fundamentos da literatura brasileira; por contestar os rumos tomados pela produção literária nacional. Na opinião do autor, ao longo de décadas, o setor imputou ao livro o status de obra de arte, de denúncia ou espaço para experimentação, catarse ou reflexão, desvalorizando-o como objeto de lazer, capaz de preencher as horas livres do cidadão comum com momentos de diversão e distração. “Não temos no Brasil uma tradição de literatura de entretenimento. A literatura brasileira é extraordinária, mas muito sofisticada. Com isso, os leitores comuns acabaram migrando em massa para a literatura estrangeira. Eu pergunto: será que nós, brasileiros, somos incapazes de escrever como Danielle Steel, Sidney Sheldon ou Dan Brown? Escrever boa ficção de entretenimento é difícil, mas os brasileiros podem fazê-lo muito bem”, afirma Matta.
Inspirado em José Paulo Paes, um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, Matta tornou-se defensor do que batizou de Literatura Popular Brasileira (LPB) – formatada aos moldes da Música Popular Brasileira (MPB) que, a despeito da declarada não-erudição, se firmou como paradigma de qualidade e excelência. O autor chama a atenção, também, para a importância de dessacralizar o ato de ler. “Ao longo do tempo fomos construindo uma aura de deferência em torno do ato de ler; um verdadeiro ritual religioso de ode ao conhecimento e à grandeza da alma e da mente. Todo esse cerimonial sempre me incomodou por inúmeros motivos e o principal é o fato de ter, desde a infância, uma forte relação de intimidade com os livros, ou seja, o ato de ler sempre me foi natural”, defende.
Sedução pela palavra
Na percepção do escritor Felipe Pena, o entretenimento é tratado de forma preconceituosa por grande parte da crítica literária brasileira. “Entretenimento não é passatempo; entretenimento é sedução pela palavra. Nas outras artes, como o cinema e o teatro, não há mais esse espaço para a dicotomia entre erudito e popular; há misturas, fronteiras híbridas. O que não significa que a literatura de entretenimento deva ser superficial”, afirma o autor. Sobre o nome do grupo, Felipe Pena explica: “Etimologicamente, silvestre significa algo que acontece naturalmente, de forma espontânea. Foi assim que nos juntamos, espontaneamente, no dia do lançamento do romance do Edney Silvestre, a quem também homenageamos, mas que não é signatário do manifesto”, detalha.
Aos que associam o thriller a uma literatura menor, o escritor Pedro Drummond responde rapidamente. “Menor em que sentido? Não é menor em vendas, não é menor em interesse dos leitores, não é menor na capacidade de difundir cultura, não é menor em nada. Aos que defendem apenas a literatura clássica, respondo que menor é a mente mais fechada”, declara. André Vianco, que já vendeu mais de 500 mil livros, conta que é considerado um escritor underground por adorar um gênero renegado no Brasil. “Ao mesmo tempo, com o apoio dos meus leitores, desponto como um dos autores que mais vendem no Brasil”, conta.
MANIFESTO DO “GRUPO SILVESTRE”
Nós, autodenominados “Grupo Silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.
1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra.
2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.
3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.
4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.
5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.
6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.
7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.
8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.
9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo.
10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.
Até o momento, os autores e editores que assinaram o Manifesto do Grupo Silvestre são: Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, André Vianco, Pedro Drummond, Luiz Antonio Aguiar, Tomaz Adour, Barbara Cassará, Halime Musser, Helena Gomes, Raphael Dracon, Sergio Pereira Couto, Ana Cristina Rodrigues, Delfin, Estevão Ribeiro e Moisés Liporage.
André Vianco
André Vianco é hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia e terror – seus livros, com tiragens iniciais na casa dos 15 mil exemplares, são lidos de norte a sul do País. Vianco explora o sobrenatural e o imaginário popular com facilidade e entusiasmo, levando o leitor a uma viagem sem volta, a um “vício” do bem. O livro “Os sete” já bateu a casa dos 50 mil exemplares vendidos. Vianco se dedica hoje, além de conceber novas histórias em forma de livro, a transportar as narrativas para o cinema. André Vianco tem 12 livros publicados. www.andrevianco.net
Felipe Pena
Escritor, psicólogo, jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC-Rio e Pós-Doutor em Semiologia pela Université de Paris/Sorbonne III. Autor de oito livros acadêmicos e dos romances “O Analfabeto que passou no vestibular” (Editora 7 Letras, 2008) e “O marido perfeito mora ao lado” (Editora Record, 2010). Site: www.felipepena.com
Luis Eduardo Matta
Uma das vozes mais criativas e originais da nova literatura nacional, Luis Eduardo Matta nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, cidade onde atualmente reside. Descendente de libaneses pelo lado paterno, o autor iniciou a carreira literária em 1993, aos 18 anos, com a publicação do livro Conexão Beirute-Teeran (Editora Chamaeleon), um thriller com nuances policiais, ambientado no pós-guerra do Líbano. A decisão de assumir por ofício a escrita pelo viés ficcional resultou na publicação das obras “Ira implacável: indícios de uma conspiração” (Razão Cultural Editora); “120 horas” (Editora Planeta); “Morte no colégio” (Editora Ática); “Roubo no paço imperial” (Editora Ática); “O rubi do planalto central” (Editora Ática); e “O véu” (Primavera Editorial). Com abordagem contemporânea e estilo ágil, sutil e refinado, Matta confere ao thriller uma fisionomia brasileira sem despojá-lo das características fundamentais do gênero universal. O mais recente livro de Luis Eduardo Matta, “O véu” – lançado pela Primavera Editorial – possui um blog (www.oveu.wordpress.com), no qual o autor mantém contato permanente com os seus leitores. www.lematta.com
Pedro Drummond
Pedro Drummond é engenheiro eletrônico especializado em sistemas de segurança. Além de apaixonado pelas letras, tem experiência em pilotagem e mergulho; foi bicampeão brasileiro de paraquedismo. A união dessas atividades deu origem ao enredo de Lemniscata – primeira obra do autor. www.pedrodrummond.com.br
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