Arte, culinária, costumes e curiosidades dos povos árabes são tema do blog “O latoeiro”, de Gilberto Abrão

O escritor Gilberto Abrão, autor de “Mohamed, o latoeiro”, criou um espaço virtual que tem por matéria-prima a cultura, culinária, costumes, religiões e curiosidades dos povos árabes que imigraram para o Brasil – uma comunidade que hoje é estimada em 12 milhões de pessoas. No blog “O latoeiro” (http://olatoeiro.wordpress.com/), Abrão responde a dúvidas dos internautas com textos, fotos e vídeos que ilustram hábitos e raízes culturais. Em um post, Abrão esclarece porque muitos brasileiros confundem os árabes com os turcos; em outro, descreve a enigmática seita alauíta. O blog foi desenvolvido pela Printec Digital.

São Paulo, 5 de abril de 2010 Ser um espaço virtual destinado a disseminar informações sobre a cultura dos povos árabes que imigraram para o Brasil – hoje uma comunidade de imigrantes e descendentes estimada em 12 milhões de pessoas –, é a proposta do blog “O latoeiro”, criado pelo escritor Gilberto Abrão. Cultura, culinária, costumes, curiosidades, música, história e religiões são matéria-prima de textos, fotos e vídeos sobre o tema. Em um post recente, o autor esclarece a origem do fato de todos os árabes serem chamados pelos brasileiros de “turcos”, uma nacionalidade que não pertence à comunidade formada pelos povos árabes. Gilberto Abrão é autor de “Mohamed, o latoeiro”, lançado pela Primavera Editorial.

Segundo o escritor, o primeiro registro oficial da imigração árabe no País é de 1835, quando os irmãos Zacarias chegaram ao Rio de Janeiro, com passaporte turco, vindos do porto de Beirute. Cerca de 30 anos mais tarde, 1865, a imigração se intensificou com a chegada de sírios; um fluxo migratório intenso se estendeu até 1870. “É por conta dos primeiros imigrantes sírios que os árabes são chamados, no Brasil, de turcos. A questão é que a Síria esteve sob o domínio do Império Turco-Otomano por séculos, mas os turcos pertencem a uma nacionalidade distinta, ou seja, são parte de outra etnia, falam uma língua distinta do árabe”, esclarece Abrão, acrescentando que os turcos são povos originários do centro da Ásia. “Eles fundaram um estado que no  auge do Império Turco-Otomano compreendia, de 1281 a 1923, a Anatólia, o Oriente Médio e parte do norte da África e do sudeste da Europa”, afirma.

Em outro post do blog desenvolvido pela Printec Digital, Gilberto Abrão faz menção aos alauítas, citados no romance “Mohamed, o latoeiro”. No texto, o “blogueiro-avô” de 66 anos, fala sobre o que difere os alauítas dos demais árabes:

(…) “Não existe uma uniformidade étnica entre os árabes. Quando houve os avanços muçulmanos dentro da Península Arábica e na Grande Síria, ao norte, os árabes foram se misturando com os povos convertidos – que já eram uma mistura de fenícios, assírios, hebreus, árabes, bizantinos etc. Portanto, os árabes de hoje não são um grupo puramente racial; são um grupo linguístico. Os alauítas não fogem à regra dessa mistura. Geralmente têm a tez mais clara do que os demais árabes que viviam no deserto. Há uma teoria que isso se deve ao fato de viverem, há mais de mil anos, enclausurados nas montanhas, com pouca exposição ao sol. Uma outra teoria é  que  são a mistura dos árabes vindos do deserto com os bizantinos que habitavam o litoral da Síria. Qualquer das duas teorias pode ser a certa. Ou nenhuma delas.”

Abrão informa que os homens alauítas geralmente usam na cabeça a “hatta”, um tecido na cor preta e o aquel (corda que prende a hatta), indumentária que ilustra o eterno luto pelo martírio do Iman Al-Hussain, neto do profeta Maomé. As mulheres cobrem a cabeça com véus – na frente de homens estranhos –, mas são um pouco displicentes e deixam, às vezes, aparecer madeixas e mechas de cabelo para sugerir sedução. Usam vestidos floridos e coloridos, ao contrário de outras muçulmanas que são mais sóbrias. Segundo Abrão, a seita alauíta é um braço do Islã xiita, precisamente dos ismailitas, mas carrega na teologia algo do cristianismo primitivo (anterior ao concílio de Nicéia) e do zoroastrismo. “Os aluítas se consideram os verdadeiros muçulmanos; oram em mesquitas, mas têm, também, orações secretas que só os poucos iniciados conhecem e que são feitas nos lares.  Como os demais muçulmanos, têm o Alcorão como o livro sagrado, mas dão aos capítulos e versículos interpretações esotéricas. Acreditam na reencarnação”, detalha o escritor, acrescentando que os adeptos acreditam que todos os bons alauítas se converterão em astros na Via Láctea e ficarão junto a Ali ibn Abi Tálib, primo e genro do Profeta. “Mas, os maus alauítas poderão voltar como cristãos ou até como animais”, afirma Abrão.

Gilberto Abrão

“Segundo meu pai, o fato de eu ter nascido durante a 2ª Guerra Mundial justifica a minha rebeldia e falta de juízo”, conta Gilberto Abrão, que foi educado em um bairro simples de Curitiba, habitado por imigrantes poloneses, ucranianos, italianos, alemães e alguns sírio-libaneses. Aos 10 anos foi enviado pelo pai ao Líbano com a missão de aprender o idioma árabe, a cultura e a religião muçulmana. “Voltei aos 14 anos, fui estudar à noite e trabalhar durante o dia. O colégio não tinha boa fama, pois aceitava alunos já crescidos, rejeitados ou expulsos de outras escolas. No entanto, o prédio anexo à escola abrigava a Faculdade de Direito de Curitiba, onde acompanhei brilhantes conferências de renomados intelectuais e polítcos, de diferentes vertentes e posições partidárias, das décadas de 1950 e 1960”, detalha o autor.

Rato de biblioteca, Gilberto Abrão leu os grandes clássicos da literatura nacional e mundial – de Machado de Assis a Franz Kafka – além velhos jornais de Angola e Moçambique. Em 1962, o autor se alistou como voluntário das Forças de Emergência das Nações Unidas para guarnecer as fileiras de soldados que atuavam na fronteira entre o Egito e Israel. Por ser fluente em árabe e inglês, permaneceu por 14 meses na Faixa de Gaza. Apaixonado por uma gaúcha, retornou ao Brasil em janeiro de 1965 para lecionar inglês em uma grande escola de idiomas. No ano seguinte, após obter o licenciamento para abrir uma franquia dessa escola de inglês, migrou para a cidade de Novo Hamburgo (RS). No início da década de 1970 iniciou o “namoro” com a literatura ao colaborar com o jornal Zero Hora, no qual publicava crônicas e contos na coluna Sol e Chuva. “Até me aventurei a tecer comentários políticos e tive a honra de ser censurado pela direção do jornal, que nessas ocasiões colocava anúncios em substituição à coluna”, conta.

Amigos – entre eles a professora Juracy Saraiva, mestre e doutora em literatura – desde 1983 insistem para que Gilberto Abrão escreva um livro. Dividido entre “ganhar dinheiro ou fazer literatura”, sempre escolheu a primeira opção. “Por conta de uma cirurgia no joelho, que me obrigou a ficar 40 dias em casa, decidi aceitar a sugestão da minha esposa e iniciar um livro. Comprei um notebook e comecei a escrever Mohamed, o latoeiro”, afirma, acrescentando que ainda continua dando as aulas de inglês.

Entrevista com Gilberto Abrão, no blog da Primavera Editorial, link: http://aprimaveraeditorial.wordpress.com/2009/09/03/gilberto-abrao-um-escritor-que-retrata-a-comunidade-arabe-em-palavras/

Primavera Editorial

A Primavera Editorial, uma “butique de livros”, estimula no cidadão brasileiro o hábito da leitura com conteúdos prazerosos, inteligentes e instrutivos. Investir em novos autores nacionais e estrangeiros – especialmente os estreantes e com obras que não foram publicadas no Brasil – tem sido uma das estratégias adotadas pela Primavera Editorial. Com diferentes linhas editoriais como romances históricos e sociais, ficção brasileira e estrangeira e policiais, entre outras, as obras da Primavera Editorial são associadas à inovação e ao pioneirismo dos conteúdos, além da qualidade da produção gráfica.

No portfólio da editora estão títulos de sucesso como La llorona (Marcela Serrano, Chile), 31 profissão solteira (Claudia Aldana, Chile), Solstício de verão (Edna Bugni, Brasil), A décima sinfonia (Joseph Gelinek, Espanha), As duas faces da abóbora (Caco Porto, Brasil), Há muito o que contar…aqui (Alison Louise Kennedy, Escócia), Mohamed, o latoeiro (Gilberto Abrão, Brasil), O véu (Luis Eduardo Matta, Brasil) e A neta da maharani (Maha Akhtar, Estados Unidos).

Pelo selo BIZ – criado para a publicação de livros que fomentam uma cultura corporativa positiva –, a Primavera Editorial lançou o Manual de gentilezas do executivo %(Steve Harrison, Estados Unidos) e As 3 leis do desempenho – reescrevendo o futuro de seu negócio e de sua vida (Steve Zaffron e Dave Logan, Estados Unidos).

Com o selo EDU, uma alusão à palavra inglesa education, associada à educação continuada, a Primavera Editorial criou uma divisão que representa o investimento da editora no segmento de não-ficção. O anel que tu me deste – O casamento no divã (Lidia Rosenberg Aratangy, Brasil); Livro dos avós – Na casa dos avós é sempre domingo? (Lidia Rosenberg Aratangy e Leonardo Posternak, Brasil);  Você sabe lidar com o seu dinheiro? Da infância à velhice (Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca, Brasil); e “Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos de Placar” (Bruno Chiarioni e Márcio Kroehn, Brasil) integram o selo.

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